Mostrar mensagens com a etiqueta Cristina. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cristina. Mostrar todas as mensagens

domingo, 21 de março de 2010

Outono Quente

- Como se chama a tua nova namorada? (1)

- Cristina. (2)

-Ai. Que a Cristina me vai odiar! (3)

- Não vai nada. Ela nunca vai saber que isto aconteceu… (4)

(1) Perguntou a Joana, assim que consegui voltar a falar, quando espasmos do corpo se desvaneciam e a rouquidão da garganta era amaciada pelo fumo do cigarro.

(2) Disse eu, fracamente pouco interessado naquele tipo de conversa, sobretudo agora que o corpo me pedia descanso e a mente pedia ausência e silêncio.

(3) Joana levou as mãos à cabeça, tapando ostensivamente os olhos, como se procurasse esconder a vergonha que na altura sentia.

(4) Resignado com impossibilidade de evitar o diálogo, virei-me para ela, afastei-lhe as mãos da cara, afaguei-lhe o cabelo e beijei-lhe suavemente a testa…

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O Fim

Maior parte das vezes o fim assume sempre formas diferentes, mas mantém sempre a mesma consistência…
“Eu sinto, cada vez mais frequentemente, desejo por outros homens.” Disse a Cristina fitando o infinito vazio da rua, evitando olhar para mim.
Conseguem sentir o ar a tornar-se viscoso?, tornando cada vez mais difícil qualquer tipo de movimento ou reacção?
“Talvez, se fosses mais homem, nós poderíamos ter tido mais sexo” continua ela, plastificando a gosma incolor e inodora que nos rodeia, impedindo-me de respirar de uma forma normal, turvando a minha memória.
O regresso a casa foi difícil, demasiado lento e obscuro. Aquilo mais recordo é a imagem dos edifícios que se pareciam arquear sobre a rua…

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Homens

Cristina um dia disse: “as mulheres querem casar com um homem rico, mas desejam ir para a cama com um pedreiro.” Como esse não era um defeito seu, nada tinha contra homens ricos ou contra os pedreiros. Apenas realçava o aspecto erótico e estético dos corpos dos homens que desenvolvem trabalho braçal.
No entanto, de alguma forma torcida, essa afirmação confirmava as minhas suspeitas que a escassez de sexo na nossa relação assentava, embora eu não fosse nem nunca venha a ser rico, no facto de ela não manter nenhuma relação erótica com o meu corpo.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Pele


No dia em que nos deitamos pela primeira vez, fizemo-lo na cama da amiga com quem ela partilhava a casa.
(O quarto era o rosto da amiga; uma amalgama de perfume caro incenso e haxixe. A amiga era daquelas raparigas, hoje tão vulgares, que se situam entre a “betice” retrógrada, o “freak” idiota e a ausência de qualquer cariz religioso.)
O sexo não foi nada de especial. Apenas uma sucessão de movimentos limitados e mecanizados e gemidos de tal forma sincopados que soavam a falso. O sexo com ela, no início, era tão incipiente que me forçou a procurar uma ex-namorada, para me assegurar que ainda era capaz de sentir e dar prazer. Mas aquilo que mais recordo dessa primeira vez, e aquilo que mais me marcou, foi a textura da sua pele. Era tão deliciosamente suave, que ainda hoje guardo essa memória táctil.