Something in you caused me to
Take a new tact with you
You were going through something
I had just about scraped through
Why do you think I let you get away
With the things you say to me?
Could it be
I like you
It's so shameful of me
I like you
(…)
Morrissey
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
O Fim
Maior parte das vezes o fim assume sempre formas diferentes, mas mantém sempre a mesma consistência…
“Eu sinto, cada vez mais frequentemente, desejo por outros homens.” Disse a Cristina fitando o infinito vazio da rua, evitando olhar para mim.
Conseguem sentir o ar a tornar-se viscoso?, tornando cada vez mais difícil qualquer tipo de movimento ou reacção?
“Talvez, se fosses mais homem, nós poderíamos ter tido mais sexo” continua ela, plastificando a gosma incolor e inodora que nos rodeia, impedindo-me de respirar de uma forma normal, turvando a minha memória.
O regresso a casa foi difícil, demasiado lento e obscuro. Aquilo mais recordo é a imagem dos edifícios que se pareciam arquear sobre a rua…
“Eu sinto, cada vez mais frequentemente, desejo por outros homens.” Disse a Cristina fitando o infinito vazio da rua, evitando olhar para mim.
Conseguem sentir o ar a tornar-se viscoso?, tornando cada vez mais difícil qualquer tipo de movimento ou reacção?
“Talvez, se fosses mais homem, nós poderíamos ter tido mais sexo” continua ela, plastificando a gosma incolor e inodora que nos rodeia, impedindo-me de respirar de uma forma normal, turvando a minha memória.
O regresso a casa foi difícil, demasiado lento e obscuro. Aquilo mais recordo é a imagem dos edifícios que se pareciam arquear sobre a rua…
terça-feira, 30 de setembro de 2008
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Dor e felicidade
Para algumas pessoas a dor e a felicidade são acontecimentos de magia.
Eva, de certa forma impedindo a minha passagem, disse: “finalmente encontrei a minha alma gémea. Eu merecia, fogo!” Por momentos esqueci que queria ir para o outro canto da sala e disse: “nem sempre as pessoas têm aquilo que merecem.” É uma característica minha utilizar estas frases aparentemente carregadas de conhecimento e de inocuidade para dar forma a uma ironia cínica. Eva sorriu, mostrando-se incapaz (a inteligência nunca foi o seu forte) de perceber que aquilo que eu disse não era, de forma alguma, abonatório à sua situação ou à vida que a conduziu aquele momento. Porque, na verdade, ela espalhou uma imensidão de dor ao tentar ser feliz…
Eva, de certa forma impedindo a minha passagem, disse: “finalmente encontrei a minha alma gémea. Eu merecia, fogo!” Por momentos esqueci que queria ir para o outro canto da sala e disse: “nem sempre as pessoas têm aquilo que merecem.” É uma característica minha utilizar estas frases aparentemente carregadas de conhecimento e de inocuidade para dar forma a uma ironia cínica. Eva sorriu, mostrando-se incapaz (a inteligência nunca foi o seu forte) de perceber que aquilo que eu disse não era, de forma alguma, abonatório à sua situação ou à vida que a conduziu aquele momento. Porque, na verdade, ela espalhou uma imensidão de dor ao tentar ser feliz…
terça-feira, 23 de setembro de 2008
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
A lógica
A lógica é a ciência do entendimento puro e da razão pura, das determinações e leis peculiares dos mesmos. O lógico tem, portanto, três aspectos: 1. o abstracto ou intelectual, 2. o dialéctico ou negativamente racional, 3. o especulativo ou positivamente racional. O intelectual permanece nos conceitos na sua rígida determinidade e diferenciação dos outros; o dialéctico mostra-se na sua passagem e na sua resolução; o especulativo ou racional apreende a sua contraposição, ou o positivo na resolução e na passagem.
Hegel
Propedêutica Filosófica
Primeira parte
Lógica
Hegel
Propedêutica Filosófica
Primeira parte
Lógica
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Trigo
sábado, 6 de setembro de 2008
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Deuses
Eros casou-se com Psique, com a condição de que ela nunca pudesse ver o seu rosto, pois isso significaria perdê-lo. Mas Psique, induzida por suas invejosas irmãs, observa o rosto de Eros à noite sob a luz de uma vela. Encantada com tamanha beleza do deus, distrai-se e deixa cair uma gota de cera sobre o peito do seu marido, que acorda. Irritado com a traição de Psique, Eros a abandona. Esta fica perturbada e passa a vaguear pelo mundo até se entregar à morte. Eros, que também sofria pela separação, implora para que Zeus tenha compaixão deles. Zeus o atende e Eros resgata sua esposa e passam a viver no Olimpo.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
sábado, 30 de agosto de 2008
O sol
O sol
Timidamente penetrando
Pela janela
Enchendo o ar que nos rodeia
O gosto amargo do café
O travo seco do cigarro
E ela à minha frente
O sol
Acaricia o seu rosto
E ilumina o seu olhar
Timidamente penetrando
Pela janela
Enchendo o ar que nos rodeia
O gosto amargo do café
O travo seco do cigarro
E ela à minha frente
O sol
Acaricia o seu rosto
E ilumina o seu olhar
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Hugo Pratt
Hugo Eugenio Pratt nasceu em 15 de Junho de 1927, na praia de Lido di Ravenna, Rimini na Itália e faleceu a 20 de Agosto de 1995 na Lausana, Suíça. Foi um autor de Banda desenhada italiano, criador de inúmeras personagens, das quais se destaca especialmente Corto Maltese.Em 1945 conhece o desenhador Mario Faustinelli, e inicia-se na BD, faz parte do "grupo de Veneza", com Alberto Ongaro, Damiano e Dino Battaglia, entre outros. A sua colaboração na revista Asso di Picche, vale-lhe um convite para trabalhar na Argentina, para onde viaja em 1949, regressando em 1962.Em 1967, apôs cinco anos difíceis, conhece Florenzo Ivaldi, um empresário genovês que adora BD. Decidem lançar uma nova revista mensal, Sgt. Kirk, onde aparecem as primeiras pranchas de “Una Ballata del Mare Salato” (A Balada do Mar Salgado), com um personagem, Corto Maltese, na altura ainda um personagem secundário. A publicação da revista seria interrompida 30 números depois em Dezembro de 1969.A série de Corto Maltese continua três anos depois na revista francesa Pif. Entre Abril de 1970 e Abril de 1973 publica 21 episódios, hoje agrupados nos ciclos Sob o Signo do Capricórnio, Corto sempre um pouco mais longe, As Célticas e As EtiópicasA partir da segunda metade dos anos 70 e nos anos 80, Hugo Pratt desenvolve novas aventuras de Corto Maltese, que o consolidam como um dos grandes criadores do século XX.
Derivado dos seus conhecimentos de história e de uma capacidade de pesquisa exaustiva muitas das suas histórias estão colocadas em momentos determinados por acontecimentos relevantes (a guerra de 1755 entre os franceses e colonos britânicos em Ticonderoga, guerras coloniais em africa e ambas as guerras mundiais) e por alguns personagens que são figuras históricas ou bastante semelhantes, como o principal adversário de corto, Rasputin.A convite de George Rieu, chefe de redacção da revista francesa Pif. desenvolve também a série os Escorpiões do Deserto. Colabora também como o seu amigo e pupilo Milo Manara em diversos títulos como, por exemplo, El Gaucho
Derivado dos seus conhecimentos de história e de uma capacidade de pesquisa exaustiva muitas das suas histórias estão colocadas em momentos determinados por acontecimentos relevantes (a guerra de 1755 entre os franceses e colonos britânicos em Ticonderoga, guerras coloniais em africa e ambas as guerras mundiais) e por alguns personagens que são figuras históricas ou bastante semelhantes, como o principal adversário de corto, Rasputin.A convite de George Rieu, chefe de redacção da revista francesa Pif. desenvolve também a série os Escorpiões do Deserto. Colabora também como o seu amigo e pupilo Milo Manara em diversos títulos como, por exemplo, El Gaucho
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
domingo, 17 de agosto de 2008
Interpol
Interpol é uma banda de rock alternativo nova-iorquina, formada no ano de 1998 por Paul Banks (voz e guitarra), Carlos Dengler (baixo e teclado), Greg Drudy (bateria) e Daniel Kessler (guitarra). Drudy deixou a banda em 2000, sendo substituído por Sam Fogarino.As influências da banda são nitidamente, grupos post-punk do final dos anos 1970 e começo dos anos 1980, como Echo & The Bunnymen, The Chameleons e Joy Division, com quem são frequentemente comparados.O seu primeiro álbum, “Turn on the Bright Lights”, foi lançado em 2002, após três EPs e participações em algumas compilações. A estreia do grupo foi um sucesso, canções como "PDA" e "Obstacle 1" fizeram a banda tornar-se conhecida. Em Setembro de 2004 a banda lançou o seu segundo álbum, chamado “Antics”, que rapidamente foi absorvido pela crítica.Paul Julian Banks é, sem dúvida a figura central deste projecto musical. Nasceu em Clacton-on-Sea, Essex, na Inglaterra, a 3 de Maio de 1978 é o cantor, responsável pelas letras/poemas e guitarrista da banda. Paul é formado em Letras pela Universidade de Nova Iorque. Antes de fazer parte dos Interpol, Paul trabalhou como assistente na revista “Interview”. Para além da música a linguística é outra das suas paixões. Foi durante um intercâmbio para Paris, que ele conheceu Daniel Kessler, que o chamaria para ser o vocalista da banda. Banks compõe todas as letras dos Interpol e confessa que é fascinado por elas, mantendo todo o mistério e não discutindo seus significados, deixando apenas que os fãs façam suas próprias interpretações.Criatividade, discrição e inteligência são algumas das inúmeras características de Paul, que nos cativa com sua voz e composições misteriosas que levam o ouvinte ao mais completo e puro êxtase. Paul mora em Nova Jersey e não bebe álcool.
sábado, 16 de agosto de 2008
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Vera
Vera foi violada por um quase conhecido quando ainda era adolescente. Por isso mesmo, embora odiasse o que sentia, o seu mais forte desejo era ser violada...
Homens
Cristina um dia disse: “as mulheres querem casar com um homem rico, mas desejam ir para a cama com um pedreiro.” Como esse não era um defeito seu, nada tinha contra homens ricos ou contra os pedreiros. Apenas realçava o aspecto erótico e estético dos corpos dos homens que desenvolvem trabalho braçal.
No entanto, de alguma forma torcida, essa afirmação confirmava as minhas suspeitas que a escassez de sexo na nossa relação assentava, embora eu não fosse nem nunca venha a ser rico, no facto de ela não manter nenhuma relação erótica com o meu corpo.
No entanto, de alguma forma torcida, essa afirmação confirmava as minhas suspeitas que a escassez de sexo na nossa relação assentava, embora eu não fosse nem nunca venha a ser rico, no facto de ela não manter nenhuma relação erótica com o meu corpo.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
All Star Batman and Robin the Boy Wonder

All Star Batman and Robin the Boy Wonder é uma série de banda Desenhada publicada pela DC Comics. O primeiro número foi lançado em Julho de 2005, sendo que o primeiro arco de histórias esteve a cargo de Frank Miller (argumento) e Jim Lee (desenho).
O primeiro número desta série vendeu mais de 300.000 cópias. Embora estivesse programado que esta série teria uma regularidade mensal, sucessivos atrasos e adiamentos acabaram por condicionar a publicação e, consequentemente, os números das vendas. No entanto, mantém-se o título mais vendido da DC Comics.
A série “All Star” tem sido comparada com a linha “Ultimate” da Marvel Comics, que foi uma tentativa, com sucesso de reintroduzir os personagens mais populares da Marvel junto de leitores mais novos, aproveitando, de certa forma, o lançamento de inúmeros filmes, através de versões renovadas, sem que tenham sofrido o desgaste de anos e anos de publicações contínuas. Até ao momento foram publicados dois personagens sobre a chancela “All Star”: Batman e Superman.
Esta série é assegurada por escritores e artistas de renome da indústria americana de Banda Desenhada, de forma a recontar a história de alguns dos mais importantes personagens do Universo DC, mas garantindo que estejam fora da continuidade dos personagens, não estando restringido por esta continuidade, procurando cativar novos leitores.
A história de All Star Batman and Robin the Boy Wonder é um recontar da origem do companheiro de Batman: Robin (Dick Grayson).
Dick Grayson é um acrobata que trabalha no Circo com os seus pais, juntos são "The Flying Graysons". Quando os seus pais são mortos, durante um espectáculo, por um assassino misterioso, Batman protege o jovem e começa a procurar o assassino…
O primeiro número desta série vendeu mais de 300.000 cópias. Embora estivesse programado que esta série teria uma regularidade mensal, sucessivos atrasos e adiamentos acabaram por condicionar a publicação e, consequentemente, os números das vendas. No entanto, mantém-se o título mais vendido da DC Comics.
A série “All Star” tem sido comparada com a linha “Ultimate” da Marvel Comics, que foi uma tentativa, com sucesso de reintroduzir os personagens mais populares da Marvel junto de leitores mais novos, aproveitando, de certa forma, o lançamento de inúmeros filmes, através de versões renovadas, sem que tenham sofrido o desgaste de anos e anos de publicações contínuas. Até ao momento foram publicados dois personagens sobre a chancela “All Star”: Batman e Superman.
Esta série é assegurada por escritores e artistas de renome da indústria americana de Banda Desenhada, de forma a recontar a história de alguns dos mais importantes personagens do Universo DC, mas garantindo que estejam fora da continuidade dos personagens, não estando restringido por esta continuidade, procurando cativar novos leitores.
A história de All Star Batman and Robin the Boy Wonder é um recontar da origem do companheiro de Batman: Robin (Dick Grayson).
Dick Grayson é um acrobata que trabalha no Circo com os seus pais, juntos são "The Flying Graysons". Quando os seus pais são mortos, durante um espectáculo, por um assassino misterioso, Batman protege o jovem e começa a procurar o assassino…
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Anarquias
- Oiça. Eu nasci do povo e na classe operária da cidade. De bom não herdei, como pode imaginar, nem a condição, nem as circunstâncias. Apenas me aconteceu ter uma inteligência naturalmente lúcida e uma vontade um tanto ou quanto forte. Mas esses eram dons naturais, que o meu baixo nascimento me não podia tirar.
``Fui operário, trabalhei, vivi uma vida apertada; fui, em resumo, o que a maioria da gente é naquele meio. Não digo que absolutamente passasse fome, mas andei lá perto. De resto, podia tê-la passado, que isso não alterava nada do que se seguiu, ou do que lhe vou expor, nem do que foi a minha vida, nem do que ela é agora.''
``Fui um operário vulgar, em suma; como todos, trabalhava porque tinha que trabalhar, e trabalhava o menos possível. O que eu era, era inteligente. Sempre que podia, lia coisas, discutia coisas, e, como não era tolo, nasceu-me uma grande insatisfação e uma grande revolta contra o meu destino e contra as condições sociais que o faziam assim. Já lhe disse que, em boa verdade, o meu destino podia ter sido pior do que era; mas naquela altura parecia-me a mim que eu era um entre a quem a Sorte tinha feito todas as injustiças juntas, e que se tinha servido das convenções sociais para mas fazer. Isto era aí pelos meus vinte anos - vinte e um o máximo - que foi quando me tornei anarquista.''
Parou um momento. Voltou-se um pouco mais para mim. Continuou, inclinando-se mais um pouco.
- Fui sempre mais ou menos lúcido. Senti-me revoltado. Quis perceber a minha revolta. Tornei-me anarquista consciente e convicto - o anarquista consciente e convicto que hoje sou.
Fernado Pessoa
Banqueiro Anarquista
``Fui operário, trabalhei, vivi uma vida apertada; fui, em resumo, o que a maioria da gente é naquele meio. Não digo que absolutamente passasse fome, mas andei lá perto. De resto, podia tê-la passado, que isso não alterava nada do que se seguiu, ou do que lhe vou expor, nem do que foi a minha vida, nem do que ela é agora.''
``Fui um operário vulgar, em suma; como todos, trabalhava porque tinha que trabalhar, e trabalhava o menos possível. O que eu era, era inteligente. Sempre que podia, lia coisas, discutia coisas, e, como não era tolo, nasceu-me uma grande insatisfação e uma grande revolta contra o meu destino e contra as condições sociais que o faziam assim. Já lhe disse que, em boa verdade, o meu destino podia ter sido pior do que era; mas naquela altura parecia-me a mim que eu era um entre a quem a Sorte tinha feito todas as injustiças juntas, e que se tinha servido das convenções sociais para mas fazer. Isto era aí pelos meus vinte anos - vinte e um o máximo - que foi quando me tornei anarquista.''
Parou um momento. Voltou-se um pouco mais para mim. Continuou, inclinando-se mais um pouco.
- Fui sempre mais ou menos lúcido. Senti-me revoltado. Quis perceber a minha revolta. Tornei-me anarquista consciente e convicto - o anarquista consciente e convicto que hoje sou.
Fernado Pessoa
Banqueiro Anarquista
segunda-feira, 21 de julho de 2008
domingo, 20 de julho de 2008
O Amor de uma vida
Ana queria mudar de roupa, por isso fomos a sua casa.
A casa era uma vivenda recentemente construída, de uma arquitectura linear, que demonstrava a capacidade económica dos seus pais.
Entramos. O silêncio sepulcral daquelas paredes, parecia abraçar-nos de uma forma persistente e isso de alguma forma surpreendeu-me.
Entramos no seu quarto. Na parede estava uma pintura minha que fiz para uma festa no Bar “A noite tem mil olhos”. Uma figura estilizada de um homem a tocar um instrumento de sopro, pintada a preto e dourado.
“Queres que saia”, perguntei eu de uma forma que acentuava um pudor que não era habitual em mim.
“Não é preciso. É como se estivéssemos na praia…”
Eu fingi estar distraído com os livros que ocupavam a estante, mas não consegui deixar de reparar na forma como estava magra e na roupa interior que tinha. Não tinha perdido o bom gosto e até era capaz de afirmar que o tinha refinado.
Por norma, sobretudo naqueles dias, a vaidade era uma das características que mais me incomodava nas mulheres. Mas nela a vaidade encaixava tão perfeitamente como a água se molda a qualquer objecto que a contenha.
“Sabes, o grande amor da minha vida é um homem casado…” Disse ela como se esperasse qualquer tipo de comentário. Mas eu nada disse limitei-me a olhá-la. Na altura assumi saber quem era esse amor, mas hoje, de alguma forma lamento nunca ter perguntado quem era.
A casa era uma vivenda recentemente construída, de uma arquitectura linear, que demonstrava a capacidade económica dos seus pais.
Entramos. O silêncio sepulcral daquelas paredes, parecia abraçar-nos de uma forma persistente e isso de alguma forma surpreendeu-me.
Entramos no seu quarto. Na parede estava uma pintura minha que fiz para uma festa no Bar “A noite tem mil olhos”. Uma figura estilizada de um homem a tocar um instrumento de sopro, pintada a preto e dourado.
“Queres que saia”, perguntei eu de uma forma que acentuava um pudor que não era habitual em mim.
“Não é preciso. É como se estivéssemos na praia…”
Eu fingi estar distraído com os livros que ocupavam a estante, mas não consegui deixar de reparar na forma como estava magra e na roupa interior que tinha. Não tinha perdido o bom gosto e até era capaz de afirmar que o tinha refinado.
Por norma, sobretudo naqueles dias, a vaidade era uma das características que mais me incomodava nas mulheres. Mas nela a vaidade encaixava tão perfeitamente como a água se molda a qualquer objecto que a contenha.
“Sabes, o grande amor da minha vida é um homem casado…” Disse ela como se esperasse qualquer tipo de comentário. Mas eu nada disse limitei-me a olhá-la. Na altura assumi saber quem era esse amor, mas hoje, de alguma forma lamento nunca ter perguntado quem era.
sábado, 19 de julho de 2008
Fantasmas
Um fantasma do passado surge inesperadamente, durante a noite, esquelético e carcomido pelo tempo…
O Filipe um dia disse que era estranho que uma pessoa com tanta vontade de viver se tivesse acomodado, assim de repente, a uma forma conformista de vida. Mas eu não poderia concordar; Eva não tinha vontade de viver, carregava um desespero que a forçava em frente e acomodou-se assim que encontrou aquilo que lhe deu um vislumbre de paz…
O Filipe um dia disse que era estranho que uma pessoa com tanta vontade de viver se tivesse acomodado, assim de repente, a uma forma conformista de vida. Mas eu não poderia concordar; Eva não tinha vontade de viver, carregava um desespero que a forçava em frente e acomodou-se assim que encontrou aquilo que lhe deu um vislumbre de paz…
quarta-feira, 16 de julho de 2008
sábado, 12 de julho de 2008
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Pequenos
Pequenos traços de luz rasgam a noite...
"Se não sentisses aquilo que sentes por mim, adorava fazer amor contigo, mas desta forma não sou capaz..."
Pequenas gotas de água consomem o oxigénio...
"Se não sentisses aquilo que sentes por mim, adorava fazer amor contigo, mas desta forma não sou capaz..."
Pequenas gotas de água consomem o oxigénio...
segunda-feira, 7 de julho de 2008
terça-feira, 1 de julho de 2008
Cossery
“Nunca desejei ter um belo carro ou qualquer outra coisa a não ser eu mesmo. Posso ir para a rua com as mãos nos bolsos e sinto-me um príncipe.”
Albert Cossery
Albert Cossery
Esquerda
Para explicar a opção que tomou Ana disse: “Sou de esquerda, portanto…”
Mas eu não pode deixar de pensar que ela mal sabia o que isso queria dizer. Para ela a esquerda pouco mais era (e é) que uma relação afectiva com a progenitura. Por isso mesmo bebi calado o resto da minha cerveja.
Mas eu não pode deixar de pensar que ela mal sabia o que isso queria dizer. Para ela a esquerda pouco mais era (e é) que uma relação afectiva com a progenitura. Por isso mesmo bebi calado o resto da minha cerveja.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Chuck Close
Chuck Close é um fotógrafo e pintor norte-americano nascido em Washington em 1940. Close utiliza como técnica sobretudo o Foto-realismo, técnica em que a pintura é similar a uma fotografia, e que se enquadra no movimento artístico denominado de Hiper-realismo. Desde 1968 Chuck Close tem pintado diversos retratos de grande tamanho baseados em fotografias previamente tiradas por si. O seu primeiro quadro com aplicação desta técnica, “Big Self Portrait”, um auto-retrato pintado a preto e branco, foi exibido na New York Gallery of Modern Art em 1973. Seguiram-se pinturas do rosto de amigos como Richard Serra ou Philip Glass. Desde então pinta frequentemente os mesmos retratos utilizando diferentes técnicas.
quinta-feira, 19 de junho de 2008
quarta-feira, 18 de junho de 2008
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Pele

No dia em que nos deitamos pela primeira vez, fizemo-lo na cama da amiga com quem ela partilhava a casa.
(O quarto era o rosto da amiga; uma amalgama de perfume caro incenso e haxixe. A amiga era daquelas raparigas, hoje tão vulgares, que se situam entre a “betice” retrógrada, o “freak” idiota e a ausência de qualquer cariz religioso.)
O sexo não foi nada de especial. Apenas uma sucessão de movimentos limitados e mecanizados e gemidos de tal forma sincopados que soavam a falso. O sexo com ela, no início, era tão incipiente que me forçou a procurar uma ex-namorada, para me assegurar que ainda era capaz de sentir e dar prazer. Mas aquilo que mais recordo dessa primeira vez, e aquilo que mais me marcou, foi a textura da sua pele. Era tão deliciosamente suave, que ainda hoje guardo essa memória táctil.
(O quarto era o rosto da amiga; uma amalgama de perfume caro incenso e haxixe. A amiga era daquelas raparigas, hoje tão vulgares, que se situam entre a “betice” retrógrada, o “freak” idiota e a ausência de qualquer cariz religioso.)
O sexo não foi nada de especial. Apenas uma sucessão de movimentos limitados e mecanizados e gemidos de tal forma sincopados que soavam a falso. O sexo com ela, no início, era tão incipiente que me forçou a procurar uma ex-namorada, para me assegurar que ainda era capaz de sentir e dar prazer. Mas aquilo que mais recordo dessa primeira vez, e aquilo que mais me marcou, foi a textura da sua pele. Era tão deliciosamente suave, que ainda hoje guardo essa memória táctil.
sábado, 14 de junho de 2008
Parabéns
Jörg Immendorff nascido a 14 de Junho de 1945, Bleckede, tendo falecido em 28 de Maio de 2007 em Düsseldorf, foi um dos maiores pintores contemporâneos alemães, além de escultor, cenógrafo e professor de arte.As suas pinturas são de alguma forma remanescentes do surrealismo, e quase sempre com um forte simbolismo para transmitir suas ideias políticas. Foi membro do movimento de arte alemão chamado Neue Wilde (Novos Selvagens). A sua série mais famosa “Cafe Deutschland”, composta de dezasseis grandes pinturas iniciou-se em 1977. Nela, Immendorff utiliza frequentadores de discoteca para simbolizar o conflito entre as Alemanhas Oriental e Ocidental.
quinta-feira, 12 de junho de 2008
domingo, 8 de junho de 2008
Acordar
A Beatriz disse: “se me queres luta por mim. Luta por aquilo que queres, ou um dia vais acordar e ver que estás fodido” Ela sempre foi assim; intolerante com aqueles que não procuram o sucesso e pouco comedida com as palavras.
Mas naquele dia o Sporting sagrou-se campeão de futebol, o que já não acontecia há muitos anos, e nós acabamos por percorrer as ruas de Coimbra a comemorar esse feito em honra do seu filho.
E eu por vezes ainda acordo com medo de estar fodido…
Mas naquele dia o Sporting sagrou-se campeão de futebol, o que já não acontecia há muitos anos, e nós acabamos por percorrer as ruas de Coimbra a comemorar esse feito em honra do seu filho.
E eu por vezes ainda acordo com medo de estar fodido…
quarta-feira, 4 de junho de 2008
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